A CIDADE QUE ATRAI: MIGRAÇÃO PENDULAR DE TRABALHADORES DO SETOR TERCIÁRIO NO CONTEXTO DA CENTRALIDADE URBANO-REGIONAL DE CAICÓ (RN)
Migração pendular; trabalhadores pendulares; setor terciário; centralidade urbano-regional; Caicó.
A migração pendular para o trabalho é resultado das atuais transformações socioespaciais, da reestruturação produtiva e da concentração de oportunidades nos centros urbanos regionais nas últimas décadas. Nesse contexto, Caicó (RN) se destaca como importante centro urbano do Seridó potiguar na oferta de comércio, serviços e administração pública, fatores que contribuem para a atração de trabalhadores oriundos de outras localidades. A presente dissertação analisa o movimento pendular de trabalhadores do setor terciário para Caicó (RN), considerando a influência de sua centralidade urbano-regional e a expansão das atividades terciárias no período de 2000 a 2026. Metodologicamente, o estudo adotou abordagem quali-quantitativa, de caráter exploratório e descritivo, fundamentado em pesquisa bibliográfica, documental e pesquisa de campo. Os dados foram coletados por meio de questionários semiestruturados aplicados a uma amostra de 95 trabalhadores formais do setor terciário que residem em outros municípios e que trabalham em Caicó; e a 20 motoristas de transporte alternativo (vans) que atuam no município, com análise complementar a partir de dados secundários (RAIS, REGIC). Os resultados revelam que a centralidade de Caicó atrai uma força de trabalho diversificada e qualificada. Os fluxos foram organizados em anéis de influência que mostram que: 73,7% dos trabalhadores vêm de até 60 km, atuam no comércio e em serviços operacionais, têm renda de um a dois salários mínimos e se deslocam diariamente. Já os trabalhadores de anéis acima de 60 km possuem renda acima de três salários mínimos, atuam em serviços especializados e na administração pública, residem inclusive em capitais como Natal, João Pessoa e Fortaleza, e permanecem semanal ou quinzenalmente em Caicó. Identificou-se que o alto custo dos aluguéis e a posse de casa própria no município de origem é o fator determinante que impede a migração definitiva para Caicó. A mobilidade é sustentada por um sistema precário e fragmentado, no qual vans e aplicativos suprem a carência do transporte coletivo formal, enquanto a subutilização do novo terminal expõe o descompasso entre planejamento urbano e práticas espaciais efetivas. Conclui-se que a migração pendular para o trabalho é o fenômeno por meio do qual a centralidade urbano-regional de Caicó se produz e se reproduz diariamente. Todavia, embora Caicó atraia a força de trabalho necessária ao funcionamento do capital, produz uma dinâmica contraditória que beneficia os trabalhadores de maior renda, enquanto exclui os de baixa renda da moradia na cidade.