EXISTIR, RESISTIR E NARRAR: a vulnerabilidade social e seus impactos nos processos de ensino-aprendizagem de estudantes beneficiários da Moradia Estudantil da Ufersa
Residência Estudantil; Narrativas Autobiográficas; Histórias de vida; Vulnerabilidade Social no Ensino Superior.
A pesquisa autobiográfica valoriza as experiências e os relatos de pessoas com histórias de vida muitas vezes desvalorizadas. Neste trabalho, esses atores serão os chamados residentes e os acontecimentos têm como plano de fundo a universidade e suas trajetórias de vida como um todo, antes e depois da graduação. O reconhecimento das superações de obstáculos que a vulnerabilidade social impõe, inclusive na relação entre ensino-aprendizagem, traz consigo a percepção da construção de uma história de vida audaciosa. Portanto, entendemos que as falas dos discentes servirão para se rever práticas de ensino em relação a estudantes que estão em vulnerabilidade social. Entendemos também que, ao narrarem as histórias deles e a forma como o ensino atravessa suas vidas, os discentes pesquisados projetarão seus projetos de vida. Essa possibilidade de projetar a vida durante a graduação e, inclusive, após ela dá lugar ao por-vir, deixando emergir as possibilidades muitas vezes não cogitadas por esses estudantes. Assim, temos como problema de pesquisa desta Tese a seguinte questão central: De que maneira a condição de vulnerabilidade social vivenciada pelos estudantes beneficiários da Moradia Estudantil da Ufersa afeta seus processos e resultados de ensino-aprendizagem, e quais estratégias de resistência são mobilizadas por esses estudantes para lidar com tais desafios? Para responder a problemática apontada, temos como Objetivo Geral analisar de que maneira a condição de vulnerabilidade social vivenciada pelos estudantes beneficiários da Moradia Estudantil da Ufersa afeta seus processos de ensino-aprendizagem. Alinhamos os seguintes Objetivos Específicos, que sinalizam o caminho a ser percorrido até chegar no nosso Objetivo Geral, são eles: Identificar as múltiplas dimensões e manifestações da vulnerabilidade social (econômica, familiar, de saúde etc.) que são percebidas pelos estudantes beneficiários da Moradia Estudantil em seu cotidiano acadêmico; Descrever a forma como essas vulnerabilidades sociais interferem e impactam diretamente os processos de ensino-aprendizagem, o desempenho acadêmico e as possibilidades de permanência e sucesso na Universidade; Analisar as estratégias de resistência, superação e adaptação (individuais e coletivas) mobilizadas pelos estudantes para mitigar os impactos da vulnerabilidade e persistir em sua trajetória universitária; (Re)interpretar as narrativas de si e as experiências subjetivas dos estudantes para apreender o significado da Moradia Estudantil como um espaço de apoio, resistência e potencialização da formação acadêmica; Depreender percepções que docentes do magistério superior têm acerca dos estudantes amparados pela Assistência Estudantil da Ufersa e localizar em suas narrativas possíveis estratégias inclusivas de ensino. Com a execução desta pesquisa, são esperadas algumas contribuições teóricas, portanto, nossa tese é de que as narrativas autobiográficas de estudantes em vulnerabilidade social, residentes de Moradias Estudantis na universidade, apresentam dados com contribuições para, inicialmente, três aspectos: Traçar um perfil geracional de quem é o estudante que, atualmente, utiliza as políticas de assistência estudantil; Do ponto de vista pedagógico, repensar o ensino a partir da reflexão do docente, do pesquisador e do discente, trazendo propostas de estratégias de ensino, de metodologias, de acesso e disseminação das informações; Do ponto de vista das políticas públicas, trazer proposições para a assistência estudantil do Ensino Superior. Nossa pesquisa utiliza uma abordagem qualitativa, uma vez que ela nos permitirá fazer análises a partir da captação de significados advindos dos processos interativos e emergentes frutos dos diálogos que forem estabelecidos. Dessa forma, o método autobiográfico se constitui em uma ferramenta para essa análise, pois compreendemos a possibilidade de articulação entre memórias, vivências e narrativas, descartando a possibilidade de análise de um relato individual. Para a captação de dados, utilizaremos duas abordagens, primordialmente: os ateliês narrativos e as fotobiografias. Conduziremos a análise dos dados a partir de um processo de triangulação entre os diferentes materiais produzidos ao longo da investigação, articulando as narrativas elaboradas nos ateliês, às fotobiografias e aos referenciais teóricos que fundamentam o estudo. Esperamos, assim, contribuir para compreender a análise de políticas públicas educacionais numa perspectiva que perpassa ouvir as narrativas de discentes, no que se refere às suas perspectivas e planos durante e após o curso universitário.