FILOSOFIA COMO VIRTUDE: INVESTIGAÇÃO E PRÁTICA DA VIDA BOA A PARTIR DA OBRA DE ALASDAIR MACINTYRE
Alasdair MacIntyre. Ética das virtudes. Racionalidade prática. Filosofia e educação. Projeto de vida.
A presente dissertação propõe uma investigação filosófica acerca da crise da moralidade moderna, a partir da crítica desenvolvida por Alasdair MacIntyre, especialmente em sua obra “After Virtue”. Com base na hipótese de que a fragmentação dos juízos morais e a perda de inteligibilidade da linguagem ética resultam do rompimento com as tradições racionais que historicamente conferiam sentido à prática moral, o trabalho defende a necessidade de uma reabilitação da ética das virtudes como horizonte normativo alternativo. A partir do diálogo crítico com os sistemas morais de Hume, Kant e Kierkegaard, evidencia-se o fracasso das tentativas modernas de fundamentar a moralidade em princípios universais abstratos, destacando-se o esvaziamento do conceito de virtude e o predomínio de concepções subjetivistas, emotivistas e individualistas da ação ética. Em contrapartida, a proposta MacIntyriana resgata, em diálogo com Aristóteles, a concepção de virtude como disposição adquirida no interior de práticas sociais dotadas de bens internos, nas quais o sujeito moral se forma mediante o engajamento contínuo e racional em uma tradição viva. No âmbito dessa reconstrução filosófica, a dissertação articula reflexão teórica e prática educativa, com o intuito de elaborar e aplicar um conjunto de videoaulas voltadas ao Ensino Médio, que visem à formação ética dos estudantes a partir da ética das virtudes. A pesquisa adota a metodologia da pesquisa-ação, estruturada em planejamento, implementação e avaliação dos materiais didáticos, concebidos como mediações filosóficas para o cultivo do caráter e para a construção de um projeto de vida orientado por finalidades humanas substantivas. Os resultados esperam indicar que tal abordagem, ao promover a deliberação moral e o reconhecimento da dimensão narrativa da vida ética, favorece a constituição de sujeitos capazes de integrar saber, ação e pertencimento comunitário. Com isso, reafirma-se a vocação da Filosofia, compreendida não apenas como investigação teórica, mas como práxis formativas voltada à realização do bem humano no seio de uma vida compartilhada.