TOLA, FEIA E NORDESTINA: UMA ANÁLISE DE MARCAS DE GÊNERO NA NARRAÇÃO/DESCRIÇÃO DA PERSONAGEM MACABÉA EM A HORA DA ESTRELA E SUA RESPECTIVA TRADUÇÃO EM INGLÊS
Figura feminina; Visibilidade e Representatividade; Marcas de Gênero; Tradução.
A figura feminina na sociedade enfrenta uma série de desafios em busca de sua
visibilidade e representatividade, o que torna natural que a arte, como forma de
expressão, reflita e reproduza tais questões. A arte como literatura denuncia
preconceitos, estigmas e problemáticas sociais a fim de gerar discussão e reflexão
acerca dessas questões. A obra clássica “A Hora da Estrela” (1998) da escritora
Clarice Lispector, por exemplo, conta a história de uma mulher retirante nordestina,
Macabéa, que se mudou para o Rio de Janeiro em busca de melhores condições de
vida. A jovem solitária, sonhadora e inexperiente é narrada pejorativamente por um
narrador-personagem, assinado como Rodrigo S.M., que utiliza palavras para
descrever sua personalidade, aparência e sentimentos, que a ferem e desqualificam.
O objetivo deste trabalho é analisar sua tradução em inglês, observando
analiticamente os adjetivos que descrevem Macabéa na versão em inglês da obra "A
Hora da Estrela" (1998), de Clarice Lispector, analisando as marcas de gênero
presentes na descrição da personagem principal e como estas foram traduzidas para
o inglês. Para isto, o trabalho fundamenta-se nos pressupostos teóricos de tradução,
como Chesterman (1997), bem como as teóricas que argumentam acerca da
Tradução Feminista e de gênero, como Schaffer (2010; 2011), Flotow (1991; 1997) e
Bassnet (1992), Lotbinière-Harwood (1991), Arrojo (1995). Esta análise também se
fundamenta nas teorias da Análise do Discurso Crítica (ADC) dos teóricos Fairclough
(1989; 1995; 1997) e Resende e Ramalho (2006). Tal análise de caráter qualitativa e
descritiva tem como base metodológica a Linguística de Corpus, e contará com o
auxílio do programa computacional WordSmith Tools 6.0 (Scott, 2012). A análise
busca trazer resultados satisfatórios com relação à existência e uso das marcas de
gênero presentes no corpus com base nas estratégias da tradução fundamentadas,
bem como ampliar a discussão sobre a visibilidade e representatividade feminina na
arte e literatura.