O ENCONTRO DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO E SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN: A MATÉRIA SOCIAL A PARTIR DO NEOBARROCO NAS OBRAS MORTE E VIDA SEVERINA (2007) E O CRISTO CIGANO (2003)
João Cabral. Sophia Andresen. Neobarroco. Denúncia social.
A presente pesquisa realiza uma análise comparativa das obras Morte e Vida Severina
(2007) de João Cabral de Melo Neto e O Cristo Cigano (2003) de Sophia de Mello
Breyner Andresen, com ênfase na denúncia social e nas características neobarrocas
de seus poemas. Justifica-se a relevância do estudo pela necessidade de
compreender como esses dois autores, pertencentes a contextos socioculturais
distintos — Brasil e Portugal —, abordam questões sociais de maneira crítica e
objetiva explorando uma estética que reflete o desequilíbrio e a inversão de valores
característicos do neobarroco, visto que, ambos os poetas, através de recursos
estilísticos, criam uma interação entre a linguagem e o social construindo uma
narrativa poética que ao mesmo tempo que é regionalista é universal. A metodologia
empregada é qualitativa e de análise bibliográfica, com uma abordagem dedutiva. A
pesquisa identifica como problema central a maneira pela qual as características
neobarrocas são empregadas para expressar e criticar as desigualdades sociais em
seus respectivos contextos. Temos como auxílio teórico a tese de doutorado de
Carvalho (2010), que trata do estudo do auto cabralino na vertente neobarroca bem
como com as investigações de Gambôa, Silva e Maia (2021), e Carlos (2000) que
tratam da poética e do neobarroquismo nas obras andresianas. No que concerne as
teorias neobarrocas, contamos com as investigações de Dor ́s (1990), Sarduy (1979),
Walter Benjamin (1984) e Affonso Ávila (2008), podendo, se necessário,
acrescentarmos à bibliografia autores e obras que tratem das referidas temáticas, de
modo a compreender os diversos aspectos das teorias neobarrocas para investigar
seu agenciamento nas obras. O objetivo principal é investigar como as características
neobarrocas se manifestam nos textos de João Cabral e Sophia de Mello Breyner,
funcionando como instrumentos de denúncia social. Resultados parciais indicam que
ambos os autores utilizam uma poética rigorosa e objetiva, rejeitando a subjetividade
lírica em favor de uma representação crítica das realidades sociais de seus contextos,
explorando o neobarroco como ferramenta para questionar as estruturas de poder e
desigualdade.