Banca de QUALIFICAÇÃO: ANNA NÍVEA DA SILVA COSTA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ANNA NÍVEA DA SILVA COSTA
DATA : 25/02/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem
TÍTULO:

A COR DO AFETO: ESCREVIVÊNCIAS E CORPO-TELA DE GRACE PASSÔ EM TEMPORADA (2018) E O DIA QUE TE CONHECI (2023)

 


PALAVRAS-CHAVES:

Grace Passô; Afeto Comunitário; Subjetividade; Cinema Negro


PÁGINAS: 77
RESUMO:

A presente pesquisa busca compreender a afetividade negra no cinema brasileiro a partir da
atuação de Grace Passô em Temporada (2018) e O dia que te Conheci (2023). Ambas as obras
são dirigidas e roteirizadas por André Novais de Oliveira, um dos fundadores da produtora
Filmes de Plástico. Verificamos nas ficções a presença de um sentido de afeto comunitário que
torna a vivência periférica de Juliana e Luísa, personagens analisadas neste trabalho, toleráveis
e possíveis. Os dois longas-metragens assinalam a existência de uma produção contemporânea
de realizadores/as brasileiros/as que articulam subjetividade, memória e ancestralidade na
criação de imagens sensíveis, de cuidado e afeto. As representações destoam do regime
estruturante de visualidades do cinema clássico que, majoritariamente, reproduz estereótipos e
alegorias sobre os corpos negros, sobretudo, as mulheres. Considerando que a indústria
cinematográfica ocidental tende a perpetuar figuras negras estigmatizadas, oriundas do período
colonial, o movimento contrapositivo da nova geração de cineastas brasileiros contesta as
normas canônicas, propondo outra leitura sobre a comunidade negra suburbana. A presença de
Grace Passô potencializa o deslocamento imagético, visto que, trata-se de uma mulher, negra e
gorda assumindo os papéis centrais em um filme de gênero dramático e outro de comédia
romântica. O corpo em cena desafia o imaginário social, habituado a ver, predominantemente,
mulheres brancas e magras em posição de destaque. Passô mobiliza as discussões em torno do
afeto, desejo e autodeterminação da mulher negra, confrontando o sistema de exclusão e
assujeitamento que opera em frente e por trás das câmeras. Neste sentido, o estudo usa
abordagem qualitativa, com finalidade explicativa, e método de análise fílmica para
compreender de que maneira a escrevivência de Evaristo (1996) e corpo-tela de Martins (2021)

perpassam o trabalho da atriz nas obras supracitadas. Para a elaboração da pesquisa, constrói-
se, inicialmente, um panorama histórico sobre o surgimento do cinema negro no Brasil, com

destaque para as imagens coloniais e percursos das principais atrizes deste período, a fim de
compreender o início do embate imagético entre os centros de poder e os grupos minorizados.
Aprofunda-se a temática com imagens afetivas do cinema negro brasileiro que propõem um
olhar sensível sobre as comunidades negras periféricas. A dissertação apresenta como aporte
teórico as obras de Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez, Conceição Evaristo, Leda Maria Martins,
bell hooks, Janaína Oliveira, Edileuza Souza, Shohat & Stam e Bordwell. Por último, aplica-se
os conceitos opositivos para entender de que maneira a escrevivência e corpo-tela despontam
no corpo, narrativa, laços afetivos e cenários nas obras Temporada (2018) e O dia que te
conheci (2023). Como resultados, a análise aponta que Grace Passô articula os elementos acima
referidos na criação de imagens desviantes que rompem a lógica de funcionamento do cinema
clássico. Ela reivindica nas telas de projeção a representação humanizada e potente da mulher
negra por meio do afeto e da subjetividade.

 


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 8031 - DAIANY FERREIRA DANTAS
Interna - 11063 - LEILA MARIA DE ARAUJO TABOSA
Externa à Instituição - DENISE CARVALHO DOS SANTOS RODRIGUES - UNICAMP
Notícia cadastrada em: 23/02/2026 16:37
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