ENERGIA EÓLICA, REESTRUTURAÇÃO TERRITORIAL E REGIÃO FUNCIONAL NO RIO GRANDE DO NORTE
Energia Renovável; Instituição; Economia; Geografia Econômica
Em momentos de crise, o sistema capitalista busca novas formas de acumulação e valorização do capital. Nesse contexto, a adoção das fontes renováveis de energia emerge como uma alternativa capaz de responder a crises geopolíticas e econômicas, constituindo-se em uma nova fonte de investimentos e de reprodução do capital. No Brasil, a crise energética do início dos anos 2000 representou um marco para o início da produção da energia eólica no país. Contudo, foi durante a crise financeira de 2008, ocorrida nos Estados Unidos, que o setor iniciou sua expansão, sustentado por um sólido arcabouço institucional que garantiu segurança aos investidores. O Rio Grande do Norte destacou-se como um dos principais polos de energias renováveis do país, favorecido por ventos intensos, infraestrutura adequada e políticas públicas voltadas à produção energética. Nesse contexto, a pesquisa tem como objetivo analisar as transformações ocorridas no território Norte-Rio-Grandense decorrentes da instalação do sistema produtivo energético eólico. Metodologicamente, o estudo adota abordagem mista, fundamentada em revisão bibliográfica e levantamento de dados secundários. Os dados primários serão coletados após o exame de qualificação. Ao analisar a produção eólica no estado, identificou-se uma concentração de parques, aerogeradores, subestações e empresas proprietárias, configurando uma região com funcionalidade articulada pela atividade eólica. A identificação dessas empresas evidencia uma forte hegemonia de capital estrangeiro: das 16 atuantes na região, apenas sete são de origem brasileira, estando as demais distribuídas em outros sete países, com destaque para a presença de empresas europeias e asiáticas. Essa dinâmica reflete a própria lógica da internacionalização dos investimentos e a inserção do território nos circuitos globais de exploração do capital articulada por um discurso da transição energética. Verificou-se, ainda, a ampliação das receitas municipais após a entrada em operação dos empreendimentos eólicos, indicando que a atividade contribuiu para a dinamização econômica desses municípios.