POR MUNDOS EXTRAORDINÁRIOS: PROCESSOS DE INCLUSÃO DE JOVENS NO ESPECTRO AUTISTA NO ENSINO DE FILOSOFIA EM MOSSORÓ/RN
inclusão escolar; autismo; ensino de filosofia; psicologia sócio-histórica.
Esta pesquisa busca apreender, a partir das significações atribuídas por professores(as) participantes da pesquisa, os processos de inclusão de jovens no espectro autista na disciplina de Filosofia no Ensino Médio, em uma escola pública do município de Mossoró/RN. O trabalho é fundamentado na Psicologia Sócio-Histórica, orientada pelos pressupostos do Materialismo Histórico-Dialético, o que possibilita a apreensão das contradições sociais e históricas que constituem a realidade escolar e configuram as falas dos(as) docentes. No escopo do texto, a análise é orientada por três categorias teóricas centrais: vivência, significação (par dialético sentido e significado) e sofrimento ético-político, que permitem apreender o sujeito concreto em contextos marcados por desigualdades e tensões sociais da sociedade capitalista. O estudo é realizado em uma escola pública do município de Mossoró/RN, e utilizou como instrumento de produção de dados os Círculos de Significação. Dividida em dois encontros, sendo um coletivo e outro individual, por meio de entrevista de caráter reflexivo, a proposta é teoricamente ancorada na Psicologia Sócio-histórica e nos Círculos de Construção de Paz. A análise dos dados é realizada por meio dos Núcleos de Significação, buscando apreender a complexidade das experiências docentes no ensino de Filosofia para jovens no espectro autista. Assim sendo, como resultados, chegamos a três núcleos: Ensinar Filosofia: Conhecimento, avaliação e metodologia; O estudante com TEA na escola: Relações, apoios e barreiras; A docência: Formação, prática e percalços. A análise possibilitou apreender as contradições que atravessam as vivências dos professores de filosofia participantes em contextos inclusivos. Os núcleos de significação evidenciam que os desafios da inclusão não se restringem à presença do estudante atípico ou a aspectos metodológicos, mas emergem da articulação entre práticas pedagógicas, relações estabelecidas em sala de aula, condições concretas de trabalho e desafios formativos. Nesse processo, o vínculo professor–aluno ocupa lugar central tanto na inclusão em sala de aula, no âmbito do processo colaborativo de aprendizagem, quanto na própria docência, ao mesmo tempo em que é atravessado por limites estruturais, pelas relações entre os próprios alunos e por formas, muitas vezes sutis, de violência e exclusão, evidenciando que a inclusão escolar é histórica e social e não se realiza apenas pela ação docente e/ou pelo apoio pedagógico, mas envolve toda a comunidade escolar. Com isso, o estudo desloca leituras individualizantes da inclusão escolar, buscando contribuir para um debate sobre as práticas inclusivas de forma crítica através de uma escuta sensível e reflexiva para ações transformadoras no campo da educação.