EXPERIÊNCIAS, SABERES E MEMÓRIAS: A BONITEZA DA PALAVRA NA LEITURA DE MUNDO DAS MULHERES DO QUILOMBO DO CUMBE/CE
Quilombo do Cumbe; Mulheres Quilombolas; Método (Auto)Biográfico
Este estudo reflete como a "boniteza da palavra" na leitura de mundo das mulheres quilombolas contribui para o fortalecimento dos saberes da experiência no Quilombo do Cumbe, em Aracati/CE. O cenário da pesquisa é a liderança feminina local, responsável por movimentar a economia e a resistência no território contra o patriarcado, o racismo, a expropriação territorial e a invisibilidade no século XXI. A investigação busca narrar os caminhos formativos que aproximam a pesquisadora da Educação e do método (Auto)Biográfico, descrevendo o percurso histórico do território e identificando, nas histórias das mulheres do Cumbe, os saberes forjados na experiência e os modos pelos quais a palavra fortalece processos de memória. A pesquisa ampara-se no Método (Auto)Biográfico, sob a premissa de pesquisar "com" as lideranças e não "sobre" elas. O percurso envolve seis encontros focados em sessões de narrativas com duas lideranças femininas, mediadas pela escuta sensível e complementadas por registros fotográficos e anotações em diário de campo, em diálogo teórico com autores como Freire, Bondiá, Nascimento, Halbwachs, Bosi, Pollak e Josso. O percurso interpretativo evidencia que as narrativas dessas mulheres expõem modos de existência que resistem à objetificação e ao silenciamento, revelando que a memória coletiva opera como força ativa contra o apagamento histórico. A atuação das mulheres lideranças do Cumbe constitui um saber revolucionário enraizado na experiência de permanecer e defender ativamente o seu território. O rabalho se constitui como uma contribuição aos estudos sobre comunidades quilombolas, memórias e educação popular, ao narrar a história a partir das memórias de mulheres em luta diária pela (re)existência da palavra quilombola.