O DIREITO DE SER QUEM SE É: AS SIGNIFICAÇÕES DE UM ESTUDANTE DA COMUNIDADE LGBTQIAPN+ SOBRE SUA VIVÊNCIA ESCOLAR
Vivência, Psicologia Sócio-Histórica, Estudantes LGBTQIAPN+, Núcleos de Significação.
Esta pesquisa tem como objetivo geral analisar as significações constituídas por um estudante da comunidade LGBTQIAPN+ acerca de suas vivências no cotidiano escolar. Pretendemos, ainda, como objetivos específicos: identificar como as questões de gênero e de orientação sexual implicam e, ao mesmo tempo, são implicadas pelas relações dos estudantes com as práticas cotidianas escolares; e, explicar a atuação pedagógica da escola no que concerne ao reconhecimento e a valorização da diversidade humana a partir das significações constituídas pelo estudante participante da pesquisa. O referencial teórico que alicerça este estudo é a Psicologia Sócio-histórica e o Materialismo Histórico-dialético, que fundamentam a compreensão e a reflexão das especificidades do objeto de estudo em tela, a partir das categorias Historicidade, Cotidiano, Vivência e Significação. A investigação foi realizada em uma escola de Ensino Médio localizada na cidade de Mossoró-RN, tendo como sujeito-participante da pesquisa um estudante cisgênero, gay, de 18 anos de idade. O estudo adota uma abordagem qualitativa, fazendo uso de um processo metodológico de produção de dados denominado de Círculos de Significação. Os dados produzidos a partir deste instrumento foram analisados com base no referencial teórico-metodológico acima enunciado, e chegamos aos seguintes Núcleos de Significação: Núcleo 1 - “Um menino específico no quinto ano sempre falava em me bater, para eu ser homem mesmo”: a ameaça como ato que exige enfrentamento à violência escolar contra estudantes da comunidade LGBTQIAPN+; Núcleo 2 - Homofobia na escola: “Eu acho assim, que para eles [os professores], não veem como uma questão sobre a sexualidade, e sim só como um bullying. Essa não é a demanda da escola”; Núcleo 3 - Tristeza, vergonha e impotência no cotidiano escolar: “A gente é visto como que nem uma piada, a gente se sente inferior, a gente fica com medo, a gente sofre até ameaça também”; e, Núcleo 4 - Movimento subjetivo de ação sobre o direito de ser quem se é: “Por que [meu jeito afeminado] era uma coisa que não teria como mudar, né? Mudar uma coisa da minha essência, o que eu sou”. Por fim, este estudo evidencia numa perspectiva de análise internúcleo, como as vivências de estudantes LGBTQIAPN+ são mediadas por processos sociais, históricos e culturais, reiterando assim, o compromisso ético-político da pesquisa em educação para com o desenvolvimento da cidadania, promoção e efetivação de direitos, a dignidade e o reconhecimento destes sujeitos transgressores da cisheteronormatividade no contexto escolar.