Tratamento Restaurador Atraumático: conhecimento e formação em saúde bucal na atenção básica
tratamento dentário restaurador sem trauma; saúde bucal; cárie dentária; atenção básica; educação permanente.
Apesar das evidências científicas que comprovam a eficácia do Tratamento Restaurador Atraumático (ART) como estratégia minimamente invasiva para o enfrentamento da cárie dentária, sua utilização na Atenção Básica ainda permanece limitada, especialmente em contextos extramuros, como escolas, domicílios e territórios socialmente vulneráveis. Estudos apontam que essa baixa incorporação está relacionada, entre outros fatores, ao desconhecimento técnico-operacional dos profissionais, à insuficiência de processos formativos e a concepções equivocadas acerca da técnica. Tal cenário representa uma lacuna relevante para a saúde pública, uma vez que restringe o acesso da população a uma tecnologia reconhecida por sua efetividade, baixo custo e potencial para ampliar a equidade no cuidado em saúde bucal. Diante desse contexto, esta pesquisa teve como objetivo geral analisar os efeitos de uma proposta de formação profissional no conhecimento da equipe de saúde bucal acerca da aplicação do ART como estratégia de enfrentamento da cárie dentária na Atenção Básica. Especificamente, buscou investigar como os profissionais compreendem e aplicam a técnica, identificar desafios e potencialidades relacionados à sua utilização, desenvolver uma proposta formativa sobre o tema e analisar as mudanças ocorridas após a intervenção educativa. Trata-se de um estudo descritivo e analítico, de abordagem quantitativa e delineamento longitudinal, realizado com profissionais das equipes de saúde bucal da Atenção Básica do município de Mossoró-RN. Participaram da pesquisa 76 profissionais, entre cirurgiões-dentistas, auxiliares e técnicos em saúde bucal. A coleta de dados ocorreu em dois momentos, antes e após uma formação profissional sobre ART, utilizando questionários semiestruturados elaborados para a pesquisa. A intervenção teve carga horária de 10 horas e contemplou atividades teóricas e práticas demonstrativas, desenvolvidas por meio de metodologia participativa e dialógica. Para a análise dos dados, empregaram-se procedimentos estatísticos descritivos e inferenciais, utilizando os testes de McNemar, Stuart-Maxwell e Wilcoxon, adotando-se nível de significância de 5%. Os resultados evidenciaram que a formação contribuiu significativamente para o aprimoramento do conhecimento técnico-científico dos participantes sobre o ART. Observou-se aumento da compreensão acerca dos princípios, indicações, contraindicações e potencialidades da técnica, bem como maior segurança e autonomia para sua aplicação na prática profissional. Também foram identificadas mudanças positivas na percepção dos profissionais quanto à utilização do ART em diferentes cenários de cuidado, especialmente em ambientes escolares e em territórios com limitações estruturais. Além disso, a formação favoreceu a valorização de abordagens minimamente invasivas e mais humanizadas no atendimento odontológico. Como principal contribuição, o estudo desenvolveu e validou uma proposta de formação profissional voltada à educação permanente das equipes de saúde bucal, fundamentada em evidências científicas atualizadas e metodologias participativas. O produto apresenta potencial de replicabilidade em diferentes contextos da Atenção Básica, contribuindo para o fortalecimento das competências profissionais, a ampliação do acesso a tratamentos restauradores e a qualificação das práticas de cuidado. Ademais, a pesquisa reforça a importância da educação permanente como estratégia para a incorporação de tecnologias efetivas nos serviços de saúde e para o enfrentamento das desigualdades em saúde bucal. Este Trabalho de Conclusão de Mestrado é fruto do Programa de Pós-Graduação stricto sensu Mestrado Profissional em Saúde da Família (PROFSAÚDE).