ENSINO DE FILOSOFIA E INCLUSÃO: IGUALDADE E EMANCIPAÇÃO EM O MESTRE IGNORANTE DE JACQUES RANCIÈRE
Filosofia; igualdade; emancipação; inclusão.
O ensino de Filosofia no Brasil apresenta uma trajetória marcada por instabilidades e períodos de marginalização no currículo do Ensino Médio, realidade que se aproxima do histórico de exclusão vivenciado por estudantes com deficiência na educação básica. Embora avanços legais tenham sido consolidados a partir do final do século XX, especialmente no campo da educação inclusiva, permanecem desafios relacionados à permanência, à participação e à aprendizagem desses estudantes. Nesse contexto, esta pesquisa tem como objetivo desenvolver e avaliar a estratégia das “experiências de pensamento” em sala de aula de Filosofia com estudantes diversos, assumindo a igualdade das inteligências não como um resultado previamente garantido, mas como um pressuposto a ser colocado à prova no próprio processo educativo. O estudo apoia-se na filosofia da educação de Jacques Rancière (2023), especialmente nos conceitos de “igualdade das inteligências” e “emancipação intelectual”, em diálogo com a “experiência de pensamento” proposta por Walter Kohan e Olarieta (2012). A problemática que orienta a investigação consiste em compreender como práticas educativa-filosóficas orientadas pela igualdade das inteligências podem ampliar a escuta, a participação e o reconhecimento dos estudantes como sujeitos pensantes no ensino de Filosofia. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, por meio de um estudo de caso, buscando compreender os sentidos atribuídos pelos estudantes à experiência filosófica vivenciada e refletir sobre as possibilidades da Filosofia como prática inclusiva na educação básica.