FRAGMENTOS DE NÓS: A BUSCA PELA IDENTIDADE NO ENSINO COM MEMÓRIA
Narrativas; Memória; Identidade; Didática; Práticas de ensino.
Este trabalho dissertativo investiga a mobilização da memória nas práticas de ensino e a sua contribuição para a construção identitária dos alunos. A investigação é conduzida pela seguinte questão norteadora: de que modo a mobilização da memória nas práticas de ensino contribui para a construção identitária de estudantes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental? O estudo justifica-se pela urgência imposta pelo cenário contemporâneo, no qual a imersão precoce das crianças no universo digital e nas redes sociais afeta e, frequentemente, fragmenta o desenvolvimento das suas subjetividades. Nesse contexto, argumenta-se que as práticas de ensino, mediadas pela didática e baseada na valorização da recuperação das memórias rememoração, despontam como vias potentes para a ancoragem identitária, a autonomia e a emancipação dos sujeitos. Diante disso, a investigação tem como objetivo geral analisar, a partir das narrativas docentes, se e como os professores mobilizam a memória nas suas práticas de ensino, visando à formação identitária de estudantes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, em escolas das redes municipal e estadual de Pau dos Ferros/RN. Para tanto, delineia-se um percurso metodológico de natureza qualitativa e aplicada, de cunho interpretativo, amparado pela pesquisa narrativa. O estudo apresenta um levantamento do tipo Estado da Questão e fundamenta-se nas categorias teóricas de memória (Bosi, 1994) (Brandão, 2008) (Bergson, 2010) (Halbwachs, 2003), identidade (Hall 2006) (Woodward, 2014) (Bauman, 2001, 2021, 2025), didática (Libâneo, 2004/2013) (Damis, 2004) (Candau, 2014) e práticas de ensino (Pimenta, 2014/2006) (Shon, 2000) (Freire, 2025), compreendidas de forma indissociável. A produção de dados ocorre por meio da entrevista narrativa e da observação da prática docente, cujo procedimento será realizado sob a lente da Análise Dialógica do Discurso (ADD), fundamentada no Círculo de Bakhtin. Sendo uma investigação em andamento, as considerações parciais apontam para a expectativa de que as narrativas evidenciem as práticas de ensino não apenas como transmissão de conteúdo, mas como um espaço de diálogo onde a valorização das bagagens histórica e cultural das crianças ressignifica o fazer docente, transforma a sala de aula num ambiente de emancipação e contribuem em seu papel formativo e na constituição identitária dos alunos.