ENSINO DE ESPANHOL COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA: INTERFONOLOGIA DOS SONS ALVEOLARES NA FORMAÇÃO DA PRONÚNCIA
Língua Espanhola. Fonética e Fonologia. Interlíngua e Interfonologia. Construção da Pronúncia. Sons Alveolares.
Esta pesquisa tem como objetivo geral analisar a interfonologia dos sons alveolares na formação da pronúncia dos aprendizes de espanhol como língua estrangeira. No que concerne aos objetivos específicos, delimitamo-nos (a) Identificar a realização dos sons alveolares na produção dos aprendizes do espanhol como língua estrangeira; (b) Verificar transferências interfonológicas entre o espanhol e o português brasileiro na pronúncia dos sons alveolares dos aprendizes; e (c) Discutir as principais dificuldades analisadas na produção dos sons alveolares dos aprendizes brasileiros do espanhol como LE. Para essa pesquisa, partimos das seguintes questões norteadoras: i) Quais são as principais manifestações interfonológicas que emergem na realização dos sons alveolares por aprendizes brasileiros de espanhol como língua estrangeira, e de que modo tais manifestações evidenciam dificuldades na construção da pronúncia nessa língua-alvo? e ii) Como as estratégias pedagógicas, com base na análise das interferências interfonológicas entre o português e o espanhol, podem ser úteis em minimizar as dificuldades na realização dos sons alveolares por aprendizes brasileiros de espanhol como língua estrangeira?. Em nosso aporte teórico, baseamo-nos, em autores como Cristófaro-Silva (2003, 2023), Roberto (2016), Mesquita Neto (2023) e Moraes (2024) que discutem os conceitos básicos que fundamentam os estudos da fonética e fonologia. Ademais, trazemos Selinker (1972), Fernández (2007) e Oliveira e Paiva (2021) com os fundamentos da interlíngua, interfonologia e fossilização. Além de Farias (2014, 2018) e Mesquita Neto (2016) que analisam os aspectos interfonológicos dos sons alveolares entre o LM e a LE, trazemos Iruela (2004, 2007), Falcão (2010), Mellado (2012) e Mesquita Neto (2018, 2020, 2023) que abordam a relação ao ensino de pronúncia e as abordagens para a efetivação dessa prática.Para a realização da pesquisa, utilizamos uma metodologia quali-quantitativa do tipo experimental e longitudinal, onde tivemos como corpus de análise gravações por meio de áudios realizados por 20 (vinte) alunos do IFRN/PF, que estavam matriculados no curso de extensão ¡Español en foco! vinculado ao Núcleo de Estudos de Cultura, Literatura e Língua Espanhola (NECLE) da UERN/CAPF. Os experimentos foram compartilhados em duas etapas: (i) prática controlada e (ii) prática livre. As temáticas abordadas para a coletas dos dados foram: a) presentarse en español (nombre, edad, origen, donde vive, datos personales, profesión y dirección), b) describir rasgos físicos y psicológicos, e c) mi rutina. Os resultados demonstram que os aprendizes apresentam gradativamente melhorias na inteligibilidade dos sons alveolares, especialmente na vibrante simples e na múltipla do espanhol, denotando assim, um maior nível de autonomia e segurança em práticas mais livres e contínuas. Os espectrogramas e oscilogramas evidenciam unidades acústicas-articulatórias, as quais os aprendizes de LE realizavam interfonologia especialmente na vibrante múltipla, produzindo uma aspiração em contextos fonéticos que não são comuns no espanhol como em e em posição de onset inicial. Ademais, foi analisado que em /s,l,n/ houveram menores transferências do PB, acreditamos que isto se dá pelo monitoramento que o docente desempenha em sala de aula, como a consciência do alunado sob a língua-meta.